
Apresentando o programa Raízes que vai ao ar pela Rádio ACB 87.9 FM em Braço do Norte diariamente das 05:30h às 7h, o comunicador Rodolfo Bonetti brincava com seus ouvintes, tecendo comentários dos bons casamentos de antigamente, quando na falta de churrasqueiras e até tijolos, o costume no interior era abrir uma vala no chão, lá no meio do pasto, perto da casa dos noivos ou da igrejinha, estendia-se um tronco de bananeira ao longo da vala, e usando espetos feitos de bambu, estava pronta a churrasqueira que, conforme a carne assava, os espetos eram espetados (fincados) no tronco da bananeira, mantendo a carne aquecida, porém longe da brasa, evitando queimar. Depois, famílias inteiras pegavam um espeto com um bom o pedaço de carne assada, sentavam-se no meio do gramado, fincavam o espeto no chão e com ou sem um pedaço de pãozinho caseiro, serviam-se na maior alegria e fartura. Enquanto isto, nos mesões feitos de madeira rústica, os churrasqueiros passavam de convidado a convidado servindo o delicioso churrasco assado no chão e fincados no tronco da bananeira.

Pronto! Estava lançado o desafio do locutor com seus ouvintes de reviver os bons tempos passados, reunir uma turma de amigos (ouvintes) e preparar tudo conforme os costumes antigos. Rodolfo Bonetti, autor da ideia relata: “Ao comentar dos costumes no programa, percebi a empolgação dos ouvintes, muitos que viveram este costume e outros que por curiosidade se prontificaram em participar e em poucos minutos formamos uma turma de aproximadamente 40 pessoas, cada qual doando alguma coisa, carne para o churrasco, bebidas, linguicinha, sal, carvão, uns prontos para cortar o bambu e apontar os espetos, outros para abrir a vala e preparar o tronco da bananeira, senhoras que iriam preparar bolos de festas das antigas, outros levariam o coador, pó de café e bule e estava montado o cardápio, o grupo de amigos e animados e prontos para voltar ao passado”.

O grande dia
“Agendamos o dia 08 de junho numa bela propriedade estilo rural no Bairro Vila Nova em Braço do Norte, os convidados/ouvintes foram chegando cedo, cada qual com suas doações, dentre eles, tínhamos três gaiteiros e três violeiros, trajes sem luxo, vala aberta no chão, bananeira estendida, carne no fogo, muita cantoria, brincadeiras como tiro ao alvo com estilingues e bodoques, jogo de bocha na grama, bebidas como caipirinha, bitter, cerveja preta, uma boa cachacinha, todos se ajudando, nada de luxo, mas um domingo de emoção e até lágrimas, com muitos dos convidados recordando ali como se casaram, como se casaram seus pais e avós e como eram difíceis, porém divertidas as festas e casamentos dos anos passados. Em paralelo, numa grande mesa de madeira, os convidados levaram antiguidades como a luz de querosene, topiador, serrotes, puas, enxós, gamelas de madeira, canecas de alumínio ou esmaltadas, toca disco com disco de vinil e funcionando, facões e outros objetos que eram as úteis ferramentas do passado. O grupo permanece formado, vamos aumentar o número de convidados numa segunda edição e certamente ir resgatando aquilo que muitos guardam na memória e outros tantos tiveram a alegria de ver e conviver, afinal, o mundo até pode estar moderno e fácil, mas tempo bom era aquele aonde tudo era simples, mas era pureza, alegria, harmonia e saúde e foi de lá que viemos com nossos pais, avós, bisavós e tantas gerações”, comenta Rodolfo Bonetti